A igreja brasileira e as eleições. A triste realidade.

Jorge Francisco Torres

Seja qual for o resultado da eleição presidencial no dia 31 de outubro, já temos um perdedor, nesse caso, perdedora: “A Igreja no Brasil” e, por consequência, “o Cristianismo” como religião, que ao longo de seus dois mil anos de história e pouco mais de quinhentos anos de Brasil, sempre apregoou que nós os Cristãos somos eleitos para os propósitos de Deus (1 Pedro 1.2), Cidadãos dos céus (Filipenses 3.20), que recebemos de Cristo a independência da morte (1 Coríntios 15.57) que vivemos no mundo, mas a ele não pertencemos, que aqui estamos vivendo distante do nosso lar; a nossa morada de paz se reveste, a Pátria Celeste é o nosso lugar!

Talvez a constatação da derrota da Igreja brasileira por efeito das eleições possa parecer carregada de pessimismo, de derrotismo, de desilusão, porém, não dá para se ter uma outra conclusão quando estamos assistindo nesses dias uma verdadeira “guerra santa” provocada pelas posições político-partidárias recheadas de interesses obscuros, da grande maioria de lideranças evangélicas e, também dos Bispos da Igreja de Roma (CNBB).

Não dá para aceitar que esses líderes religiosos do século XXI possam facilmente enredar-se na desafinada e herética canção mundana do “toma-lá-da-cá” e tapar seus ouvidos ao aviso: “Não vivam como vivem as pessoas do mundo, mas deixem que Deus os transforme” (Romanos 12.2).

Não é um advogar de uma alienação política ou, falta de interesse pela eleição e pelos rumos da nação. Não é nada disso!

Como Cristãos, a partir da fé, somos portadores de duas cidadanias: a terrena e a celestial e, como tal, sabemos que enquanto cidadãos terrenos temos direitos a usufruir e deveres a cumprir, em igual medida sendo que entre os deveres está o de votarmos e sermos votados, de governar e de sermos governados, em diferentes níveis institucionais.

A história recente do Brasil nos mostra que a postura da Igreja brasileira, em especial, a Igreja Evangélica, diante das eleições, sempre foi de viver em oração e ação, em louvor e serviço, a Deus e ao próximo, orientando seus seguidores a refletirem nisso enquanto fazem suas escolhas eleitorais, respeitando sempre a vontade Soberana de Deus, pois ninguém é eleito, senão pela vontade Dele.

Hoje a Igreja se rendeu. Caiu aos pés dos interesses políticos e, tristemente é “cabo eleitoreira” desse ou daquele candidato, sob o pretexto de que um ou outro candidato é menos ou mais a favor da vida. O aborto deixou de ser uma questão doutrinária para a Igreja brasileira e passou a ser um tema meramente político para referendar o apoio dado a esse ou àquele candidato.

A Igreja Romana no Brasil perdeu o “poder” já faz algum tempo. Enquanto vive seus dramas internos de homossexualismo e pedofilia entre seu clero, vê nessas eleições a oportunidade de recuperar o seu domínio e influência, caso a eleição do seu candidato que descaradamente assumiu e virou cabo eleitoreira se confirme.

Já no cenário evangélico, vemos uma avalanche de líderes pentecostais e neopentecostais e suas variações, encostando num ou noutro candidato, sem qualquer critério, valendo-se tão somente dos frutos de que tais apoios lhe renderão num futuro próximo. Esse ramo de Igreja Evangélica perdeu a “moral”, pois se vende facilmente, são como nuvens sem água, levadas pelo vento, uma após a outra.

As Igrejas Evangélicas Históricas se apequenaram diante desse cenário, não cumprem o seu papel profético de ser a guardiã da sã doutrina, herdada dos apóstolos. É uma pena ver grandes homens dos quadros das Igrejas Evangélicas históricas se aquietarem nesse momento tão difícil porque passa a Igreja.

Todos nós que estamos no trabalho missionário, seja numa congregação ou à frente de uma missão evangelística, sabemos o quanto está difícil a adesão das pessoas ao evangelho. O quanto muito de nós tem sofrido pela falta de interesse das pessoas pela religião, pelo sagrado, pelo divino. Temos inúmeros adversários.

Contudo, nada é mais danoso ao evangelho do que o contra-testemunho. Nada dói mais do que ver o evangelho ser pisoteado, desrespeitado grosseiramente pelas pessoas por conta de ações irresponsáveis daqueles que deveriam zelar e dar bons exemplos como fruto daquilo que dizem crer.

Depois dessas eleições ficará ainda mais duro evangelizar. Seremos alvos de chacotas, ouviremos insultos, desaforos e um não bem grande de descrédito. Seremos comparados a tudo, menos a herdeiros de Cristo e seus seguidores.

Que Deus tenha misericórdia e dê uma nova chance a sua Igreja no Brasil.

Jorge Francisco Torres Presbítero na Diocese do Recife; Ministro Encarregado do Ponto Missionário Anglicano Deus Conduz, em São José do Rio Preto (SP via - PavaBlog
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