sermão Spurgeon: Uma Palavra aos Não-convertidos


Charles Haddon Spurgeon

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Sermões Spurgeon


Sermão n.º 174, “A Call to the Unconverted”, pregado a noite de domingo, 8 de Novembro, 1857 por Charles Haddon Spurgeon, na Capela New Park Street, Southwark, Londres

“Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las.” (Gl 3:10 ACF)
Meu querido leitor e ouvinte, você é crente ou não o é? Conforme responda a esta pergunta, escolherei o estilo de dirigir-me a ti no dia de hoje. Eu pediria-lhe, como um grande favor para sua própria alma, que esta noite não pense que está sentado numa capela, ouvindo um ministro que está pregando a uma grande congregação. Pensa que está sentado na tua própria casa, na tua própria cadeira, e imagina que eu estou ao teu lado, com a tua mão na minha, conversando pessoalmente contigo, conversando sozinho contigo; pois assim é como desejo pregar hoje a cada um dos meus ouvintes — a cada um individualmente. Então, antes de começar, quero que você me responda, diante de Deus, a esta pergunta solene e de suma importância — está em Cristo ou não está? Anda fugido, procurando refúgio n’Ele, o Qual é a única esperança para os pecadores? Ou, ainda é um estranho para a nação de Israel, ignorante acerca de Deus e do Seu santo Evangelho? Seja honesto com seu próprio coração, e deixa que a sua consciência responda: sim, ou não, pois a sua condição hoje, responde a uma destas duas situações: ou está debaixo da ira de Deus, ou foi livrado dela. Você é neste dia, um herdeiro da ira divina, ou um herdeiro do reino da graça. Qual das duas situações é a sua condição?
Na sua resposta não recorra a nenhuma das condicionantes “se” ou “mas”. Responde com sinceridade à sua própria alma; e se tiver alguma dúvida a esse respeito, suplico-lhe que não descanse até que tenha resolvido essa dúvida. Não utilize essa dúvida em seu proveito próprio, mas antes, pelo contrário, use-a contra ti. Pode estar seguro que é mais provável que se equivoque, em lugar de estar correto; e agora, ponha-se a si mesmo na balança, e se não inclinar completamente algum dos pratos, e ficar equilibrado entre os dois, dizendo: “não sei qual dos dois,” é melhor que se decida pela pior das respostas, ainda que lhe doa, e não que escolha a melhor, sendo enganado, e assim prossiga com presunção, até que o abismo do Inferno te desperte do teu próprio engano. Pode, então, com uma mão posta sobre a santa Palavra de Deus, e com a outra mão sobre o seu próprio coração, alçar os seus olhos ao céu, e dizer: “Uma coisa sei, é que havendo eu sido cego, agora vejo; eu sei que passei da morte para a vida; já não sou o que antes fui; ‘eu sou o primeiro dos pecadores, mas Jesus morreu por mim; e se não estiver terrivelmente enganado, hoje sou, ‘um pecador salvo pelo sangue, um monumento da graça’”?
Meu irmão, que Deus te ajude; a bênção do Altíssimo seja contigo. O meu texto não contém trovões para ti. Em lugar deste versículo, procurem o versículo 13, e leiam ali a vossa herança: “Cristo nos redimiu da maldição da lei, feito por nós maldição (porque está escrito: Maldito todo o que é pendurado num madeiro).” Assim, Cristo foi feito maldição no seu lugar, e você estás seguro, se realmente foi convertido, e se na verdade é um regenerado filho de Deus.
Meu querido amigo, estou solenemente convencido de que uma grande proporção desta assembleia não se atreveria a afirmá-lo; e você hoje se recorde (pois estou falando pessoalmente com cada um de vocês), que é um desses e não se atreva a afirmá-lo, pois é um estranho para a graça de Deus. Você não se atreveria a mentir diante de Deus e da sua própria consciência, e, portanto, diz honestamente: “eu sei que nunca fui regenerado; sou agora o que sempre fui, e isso é o tudo o que posso dizer.” Então, tenho que tratar contigo: Exorto-lhe por Ele, O qual julgará os vivos e os mortos, ante Quem você e eu deveremos apresentar-nos, que escute as palavras que prego, pois poderá ser a última advertência que jamais ouças, e exorto também a minha própria alma: sê fiel a estes homens moribundos, para que não seja achado no fim, no sopé de montanha, o sangue das almas, e tu mesma sejas desprezada. Oh Deus, faz-nos fiéis hoje, e dá-nos o ouvido que ouça, e a memória que retenha, e a consciência tocada pelo Espírito, no nome do Jesus.
Em primeiro lugar, hoje vamos julgar o prisioneiro; em segundo lugar, vamos decretar a sua sentença; e em terceiro lugar, se nos inteirarmos que ele confessa os seus pecados e se volta penitente, vamos proclamar a sua libertação; mas não a proclamaremos a menos que comprovemos que ele o faça.
I. Então, em primeiro lugar, estamos para JULGAR O PRISIONEIRO.
O texto diz: “Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas escritas no livro da lei, para fazê-las.” Homem não-convertido, é culpado ou não é culpado? Tens permanecido “em todas as coisas escritas no livro da lei, para fazê-las”? Parece-me que não se atreveria a declarar-se: “inocente.” Mas, vou supor, por um momento, que você é suficientemente audaz para fazê-lo. Assim, então, meu amigo, quer sustentar que permaneceste “em todas as coisas escritas no livro da lei.” Decerto a simples leitura da lei deveria ser suficiente para convencer-lhe que você está completamente equivocado. Acaso você sabe o que é a lei? Vamos, vou dar-lhe o que poderia chamar-se uma pincelada exterior da lei, mas recorda que dentro dela há um espírito mais profundo, não expressado por simples palavras.
Escuta estas palavras da lei:
“Não terás deuses alheios diante de mim.” O quê! Não amou jamais alguma outra coisa mais que a Deus? Nunca fez do seu ventre um Deus, ou do seu negócio, ou da sua família, ou da sua própria pessoa? Oh! certamente não se atreveria a dizer que é inocente nisso.
“Não farás imagem, nem nenhuma semelhança do que esteja em cima no céu, nem abaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.” O quê! Nunca na sua vida colocou algo em lugar de Deus? Se você não o tem feito, eu sim, e muitas vezes. E eu sei que se a sua consciência falasse com sinceridade, diria-lhe: “homem, você tem sido um adorador das riquezas, tem sido um adorador do ventre, tem se inclinado diante do ouro e da prata; tem se prostrado diante da honra, tem se inclinado ante o prazer, tem se feito deus da sua bebedeira, um deus da sua concupiscência, um deus da sua imundície, um deus dos seus prazeres!”
Você atreveria-se a dizer que jamais tomou o nome de Jeová, seu Deus, em vão? Se nunca jurou profanamente, provavelmente na conversação comum, tem feito uso algumas vezes do nome de Deus, quando não deverias havê-lo feito. Responde: você santificou sempre esse santíssimo nome? Nunca nomeou a Deus sem necessidade? Acaso nunca leu o Seu livro com um espírito frívolo? Nunca ouviu o Seu Evangelho sem a devida reverência? Provavelmente é culpado disto. E quanto ao quarto mandamento, relativo a guardar o dia de repouso: “lembra-te do dia de repouso para santificá-lo.” Alguma vez o quebrantou? Oh, cala a boca e confesse-se culpado, pois estes quatro mandamentos seriam suficientes para lhe condenar!
“Honra o teu pai e a tua mãe.” Por acaso me diria que guardou esse mandamento? Acaso nunca foi desobediente na sua juventude? Nunca pisoteou o amor da sua mãe, e nunca pugnou com as chamadas de atenção, do seu pai? Passa as páginas da sua história até chegar à sua infância: vê se não podes comprovar que já está escrito ali; ai, e a sua maturidade poderia confessar que nem sempre falou a seus pais como devia, e nem sempre os tratou com essa honra que mereciam, e que Deus mandou que lha desses.
“Não matarás”; talvez não tenha matado a ninguém alguma vez, mas por acaso nunca se irritou? Qualquer que se irrita contra o seu irmão é um assassino; você é culpado nisto.
“Não cometerás adultério.” Talvez tenha realizado atos imundos e neste preciso dia está manchado de lascívia; mas se tiver sido muito casto, estou seguro que não está isento de culpa, quando o Senhor diz: “Qualquer que olhe a uma mulher para cobiçá-la, já adulterou com ela no seu coração.” Acaso nenhum pensamento lascivo tem atravessado pela sua mente? Acaso nenhuma impureza tem sacudido sua imaginação? De certo que, se te atrevesse a afirmá-lo, seria um impudico desavergonhado. E, por acaso nunca roubou?
“Não furtarás”: talvez esteja hoje aqui, no meio da multidão, com o produto do seu roubo; cometeu esse ato; perpetrou um roubo; mas se tem sido muito honesto, houve momentos nos quais há sentido uma inclinação a defraudar o seu vizinho, até poderiam ter existido algumas pequenas fraudes, ou talvez alguns mais graves que cometeu secreta e silenciosamente, no que a lei civil não pôde lhe lançar a mão, mas que, não obstante, foi um quebrantamento desta lei. E, quem se atreveria a afirmar que nunca falou falso testemunho contra o seu próximo? Acaso, nunca repetimos alguma vez, alguma história que tenha sido em detrimento do nosso vizinho e que era falsa? Acaso, alguma vez interpretamos mal os seus motivos? Acaso nunca entendemos sinistramente os seus planos?
E, quem de nós se atreveria a dizer que é inocente do último mandamento: “Não cobiçarás”? Pois todos desejamos ter mais do que Deus nos deu; e às vezes o nosso coração extraviado cobiçou coisas que o Senhor não nos concedeu. Vamos, se nos declararmos inocentes, estaríamos anunciando a nossa própria insensatez; pois, na verdade, meus irmãos, a simples leitura da lei é suficiente, se somos abençoados pelo Espírito, para conduzir-nos a declarar-nos: “culpados, oh Senhor, culpados.”
Mas, alguém exclama: “eu não me declararei culpado, pois embora esteja muito consciente que não permaneci ‘em todas as coisas escritas no livro da lei’, fiz o melhor que pude.” Essa é uma mentira; diante de Deus é uma falsidade. Não o tens feito! Não tens feito o melhor que podias. Houve muitas ocasiões nas quais poderia ter realizado um esforço melhor. Acaso, aquele jovem que está acolá, atreveria-se a dizer-me que está fazendo agora o melhor que pode? Que não pode reprimir a sua risada na casa de Deus? É possível que seja difícil para ele que o faça, mas é possível que poderia, se quisesse, refrear-se de insultar o seu Criador, na Sua cara. De certo, nenhum de nós tem feito o melhor que podia. Em cada período, em cada momento, houve oportunidades de escapar da tentação. Se não tivéssemos tido nenhuma liberdade de escapar do pecado, poderia haver alguma desculpa por ele; mas houve pontos decisivos na nossa história quando teríamos podido decidir pelo correto ou o incorreto, mas temos feito o mal e evitamos o bem, e dirigimo-nos a esse caminho que conduz ao Inferno.
“Ah, mas eu declaro, senhor,” diz outro, “que embora seja certo que tenho quebrantado essa lei, sem dúvida alguma, não fui pior que os meus semelhantes.” E, por certo, esse é um argumento muito triste, pois de que te serve? Ser condenado em grupo, não lhe serve de mais consolo, que se você for condenado sozinho. É certo que não foi pior que os seus semelhantes, mas isto não servirá de nada para ti. Quando os ímpios forem atirados para o Inferno, será-lhe de muito pouco consolo para ti que Deus diga: “apartai-vos de mim, malditos” a mil pessoas juntamente contigo. Recorda que a maldição de Deus, quando arraste a uma nação ao Inferno, será sentida por cada indivíduo da multidão de igual maneira como se o castigo fosse para um só indivíduo. Deus não é como os nossos juízes terrestres. Se os vossos tribunais estivessem saturados de prisioneiros, poderiam sentir-se inclinados a tratar levianamente muitos casos. Mas, com Jeová não acontece o mesmo. Ele é tão infinito na Sua mente, que a abundância de criminosos não será uma dificuldade para Ele. Tratará contigo com a mesma severidade e justiça como se não houvesse nenhum outro pecador, em todo mundo.
E eu pergunto-lhe: o que tens que ver com os pecados de outros homens? Você não é responsável por eles. Deus determinou que você se sustentaria ou cairia por si mesmo. De acordo com as suas próprias ações serás julgado. O pecado da rameira pode ser mais grave que o seu, mas você não será condenado pelas iniquidades dela. A culpa do assassino pode ultrapassar em muito as suas transgressões, mas você não será condenado pelo assassino. Oh, homem, a religião é algo entre Deus e a sua própria alma; e, portanto, imploro-lhe que não olhe para o coração do seu vizinho, mas para o seu próprio coração.
“Ai,” exclama alguém, “mas eu esforcei-me, muitas vezes, para guardar a lei, e penso que o logrei por algum tempo.” Escuta outra vez a leitura do versículo: “Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas escritas no livro da lei, para as fazer.” Oh, senhores!, não é algum rubor febril nas faces que brota por uma irresolução doentia, o que Deus reconhece como a saúde da obediência. Não se trata de uma ligeira obediência durante uma hora, o que Deus aceitará no dia do juízo. Ele usa a palavra “permanecer;” e a menos que, desde a minha mais tenra infância, até ao dia em que os meus cabelos brancos desçam à tumba, tenha permanecido em obediência a Deus, deverei ser condenado. A menos que tenha servido obedientemente a Deus, desde o primeiro despertar da razão, quando comecei a ser responsável, até que, como um arbusto de trigo, seja juntado no celeiro de meu Senhor, a salvação pelas obras será impossível para mim, e eu serei condenado se estou apoiado no meu próprio fundamento. Não é, afirmo-o, alguma flutuante obediência o que salvará a alma. Tu não permaneceste “em todas as coisas escritas no livro da lei,” e portanto estás condenado.
“Mas,” dirá outro, “há muitas coisas que eu não tenho feito, mas apesar de tudo, tenho sido muito virtuoso.” Essa, também, é uma pobre desculpa. Supõe que tens sido virtuoso; supõe que tens evitado muitos vícios: lê o meu texto. Não é minha a palavra, mas a palavra de Deus, leia: “todas as coisas.” Não diz: “algumas coisas.” “Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas escritas no livro da lei, para as fazer.” Agora, tem posto em prática todas as virtudes? Tem-se apartado de todos os vícios? Pode se pôr de pé e declarar: “nunca fui um bêbado”? Entretanto, será condenado, se tiveres sido um fornicador. Respondes acaso: “nunca fui imundo”? Entretanto, quebrantaste o dia de repouso. Declara-se culpado desse cargo? Acaso declara que nunca quebrantaste o dia de repouso? Tu tomaste o nome de Deus em vão, não é verdade? Em alguma parte ou em outra, a lei de Deus te pode ferir. É certo (deixa agora que fale à tua consciência e afirme o que eu assevero), é certo que não permaneceste “em todas as coisas escritas no livro da lei.” E mais, estou convencido que não permaneceste plenamente em nenhum mandamento de Deus, pois o mandamento é extremamente amplo. Não é o ato patente, simplesmente, o que condenará um homem; é o pensamento, a imaginação, a concepção do pecado, os que bastam para arruinar a alma. Recordem, meus queridos ouvintes, que estou pregando agora a própria palavra de Deus, não uma rigorosa doutrina da minha propriedade. Se nunca tivessem cometido um só ato de pecado, o puro pensamento de pecado, a simples imaginação do pecado, bastariam para arrastar a alma para o Inferno para sempre. Se tivesses nascido numa cela, e não tivesses podido sair nunca para o mundo, para cometer atos de lascívia, assassinato ou roubo, bastaria o pensamento do mal nessa cela solitária, para apartar a tua alma para sempre do rosto de Deus. Oh!, não há ninguém aqui que possa ter a esperança de escapar. Cada um de nós deve inclinar a sua cabeça diante de Deus, e clamar: “culpado, Senhor, culpado, cada um de nós é culpado: ‘Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas escritas no livro da lei, para as fazer.” Quando olho o seu rosto, oh Lei, o meu espírito treme de horror. Quando escuto os seus trovões, o meu coração derrete-se como a cera no meio das minhas entranhas. Como poderia suportar-lhe? Se for para ser julgado no fim pela minha vida, de certeza não necessitarei de um juiz, pois eu serei o meu próprio acusador voluntário, e a minha consciência será uma testemunha para me condenar.

Penso que não preciso de me alargar mais neste ponto. Oh, você, que está sem Cristo e sem Deus, não permanece condenado diante Dele? Tira de ti todas as máscaras, e despreza todas as desculpas; que cada um de nós arremesse ao vento todas suas vãs pretensões. A menos que contemos com o sangue e a justiça de Cristo, para que nos cubra, cada um de nós deve reconhecer que esta sentença fecha as portas do Céu na nossa cara, e unicamente nos prepara para as chamas da perdição.


II. Desta maneira julguei o caráter, e foi culpado; agora tenho que DECLARAR A SENTENÇA.
Os ministros de Deus não gostam nada de um trabalho como este. Eu preferiria deter-me neste púlpito e pregar vinte sermões sobre o amor de Jesus, que pregar um como este. Muito raramente toco este tema, pois não acredito que seja necessário fazê-lo frequentemente; mas sinto que se estas coisas se guardassem completamente no fundo, e a lei não fosse pregada, o Senhor não abençoaria esse Evangelho; pois Ele quer que ambos os temas sejam pregados, na sua medida, e cada um deve ter a sua própria proeminência. Agora, portanto, ouçam-me enquanto digo a vocês, cheio de tristeza, qual é a sentença contra todos vos que estais sem Cristo, no dia de hoje.
Pecador, tu és maldito neste dia. Tu és maldito, não por algum feiticeiro cujo bruxedo imaginário aterra unicamente no ignorante. Tens sido amaldiçoado, não por algum monarca terrestre que poderia enviar as suas tropas contra ti, e apoderar-se rapidamente da tua casa e do teu patrimônio. Maldito! Oh, que terrível coisa é uma maldição de qualquer tipo! Que coisa tão assustadora é a maldição de um pai. Temos ouvido de alguns pais que, conduzidos à loucura pela conduta desobediente e ofensiva de seus filhos, têm alçado as suas mãos ao Céu, e tem implorado uma maldição, uma maldição fulminante sobre os seus filhos. Não podemos desculpar o ato insensato e irrefletido desses pais. Não poderíamos eximi-lo de pecado; mas, oh, a maldição de um pai deve ser horrenda. Não posso imaginar o que seria ser amaldiçoado pela pessoa que me engendrou. Certamente apagaria a luz do sol da minha história para sempre, se fosse merecida. Mas ser amaldiçoado por Deus: não tenho palavras para vos dizer o que deve ser isso. “Oh, não,” dirás, “isso pertence ao futuro; não nos importa a maldição de Deus; não está caindo sobre nós agora.” Não, alma, sim está caindo. A ira de Deus está sobre ti, inclusivamente agora. Ainda não chegou ao ponto de conhecer a plenitude dessa maldição, mas maldito é nesta mesma hora. Ainda não está no Inferno; ainda Deus não se agradou de fechar as entranhas da Sua compaixão, e lhe lançou para sempre da Sua presença; mas apesar de tudo isso, é maldito. Busca a passagem no livro de Deuteronômio, e comprova como a maldição é algo que está presente no pecador. No capítulo 28 de Deuteronômio, no versículo 15 e seguintes, lemos tudo isto como a sentença do pecador: “Maldito serás tu na cidade,” onde realizas os teus negócios, Deus te amaldiçoará. “E maldito no campo,” onde faz o seu entretenimento; onde vai, para ali alcançar a maldição. “Maldita a sua cesta, e seu artesã de amassar. Maldito o fruto do teu ventre, o fruto da tua terra, a cria das tuas vacas, e os rebanhos das tuas ovelhas. Maldito serás no teu entrar, e maldito no teu sair.” Há alguns homens sobre quem esta maldição é muito visível. Eles alcançam riquezas, mas ali está a maldição de Deus nas suas riquezas. Eu não quereria ter o ouro de alguns homens nem por todas as estrelas, embora fossem de ouro: e se pudesse ter toda a riqueza do mundo, mas tivesse que ter a avareza do miserável, preferiria ser pobre que ter essa riqueza. Há alguns homens que são visivelmente malditos. Não vês o bêbado? Ele é maldito, não importa aonde vá. Quando chega a sua casa, os seus pequenos filhos sobem, correndo para as suas camas, pois têm medo de ver o seu próprio pai; e quando crescem um pouco mais, começam a beber igual a ele, e o seguirão e o imitarão; e eles também começarão a blasfemar, de tal maneira que o bêbado é maldito no fruto do seu corpo. Ele pensou que não era tão mau que fosse um bêbado e que blasfemasse; Oh, mas que dor atravessa a consciência do pai, se é que tem consciência, quando vê o seu filho seguindo os seus passos. A bebedeira atrai tal maldição sobre um homem, que não pode desfrutar o que come. Maldita é a sua cesta e a sua artesã de amassar. E, na verdade, embora um vício dê a impressão que atrai a maldição mais que outros, todo o pecado conduz à maldição, embora nem sempre a vejamos.


Oh!, você que está sem Deus, e sem Cristo, é um estranho para Jesus, é maldito onde se sente, e maldito onde pare; maldita é a cama sobre a qual se deita; maldito o pão que come; maldito o ar que respira. Tudo é maldito para ti. Não importa onde vá, é um homem maldito. Ah!, esse é um pensamento espantoso. Oh!, alguns de vocês são malditos hoje. Oh, que um homem tenha que dizer isso de seus irmãos! Mas devemos dizê-lo, ou não seríamos fiéis às suas pobres almas agonizantes. Oh, Deus queira que alguma pobre alma dissesse neste lugar: “então eu sou maldito neste dia; maldito por Deus, e maldito por Seus santos anjos: maldito! Maldito! Maldito! Sou maldito pois estou sob a lei.” Penso, na verdade, que com a bênção de Deus, o Espírito Santo nela, só se necessita dessa única palavra: “maldito!” “Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas escritas no livro da lei, para as fazer.”
Mas agora, querido leitor, você que se encontra neste estado, impenitente e incrédulo, tenho trabalho por diante, antes de concluir. Recorda, a maldição que os homens recebem nesta vida, não é nada comparada com a maldição que cairá sobre eles no além. Nuns breves anos, você e eu vamos morrer. Vamos, falarei contigo sobre uma base pessoal outra vez: jovem amigo, logo envelheceremos, ou, talvez, morreremos antes desse momento, e seremos colocados nas nossas camas (a última cama sobre a que dormiremos jamais), e vamos despertar do nosso último sonho para ouvir as lúgubres novas nas quais não temos esperança; o médico tomará o nosso pulso, e assegurará solenemente aos nossos parentes que tudo terminou! E jazeremos imóveis nesse quarto, onde tudo se cala exceto o tic-tac do relógio, e o pranto de nossa esposa e filhos; e vamos morrer. Oh, quão solene será essa hora quando tivermos que combater com esse inimigo, a Morte! Os estertores da morte estão na nossa garganta (com muita dificuldade podemos articular algo), tratamos de falar, o verniz da morte está sobre os nossos olhos: a Morte pôs os seus dedos nessas janelas do corpo, e apagou a luz para sempre; as mãos negam-se a elevar-se, e ali estamos, acercando-nos aos limites da tumba! Ah, esse momento, quando o espírito vê o seu destino; esse momento, o mais solene de todos os momentos, quando a alma vê o mundo vindouro através dos barrotes da sua jaula! Não, não posso dizer-lhes o que sente o espírito, se for um espírito ímpio, quando vê o trono ardente do juízo, e ouve os trovões da ira de Todo-Poderoso, quando não há senão um instante entre isso e o Inferno. Não posso descrever qual será o terror que sentirão os homens, quando experimentarem aquilo que frequentemente escutaram! Ah, está bem que se riam de mim esta noite. Quando se forem, será um pouco divertido fazer uma piada relativa ao que disse o pregador; que comentem entre si, e se divirtam com tudo isto. Mas quando estiverem nos seus leitos de morte, não se rirão. Agora, a cortina está fechada e não podem ver as coisas do futuro; está bem que se divirtam. Quando Deus correr essa cortina e se dêem conta da solene realidade, não vão poder encontrar brincadeiras nos seus corações. Acabe, sentado no seu trono, ria-se de Micas. Entretanto, não lemos que Acabe se riu de Micas quando a flecha se cravou por entre as junturas da sua armadura. Nos tempos do Noé, as pessoas riam-se do velho; chamavam-lhe um néscio decrépito, não o duvido, porque lhes dizia que Deus estava a ponto de destruir a Terra com um dilúvio. Mas, ah!, vocês gozadores, vocês não se riram naquele dia, quando as cataratas estavam desabando do céu, e quando Deus abriu as portas do grande abismo, e deu a ordem a todas as águas escondidas que saíssem com ímpeto à superfície; então, deram-se conta que Noé tinha razão. E, quando se aproximar a hora da vossa morte, talvez vocês não se rirão de mim. Dirão, quando estiverem nesse transe: “posso recordar que uma certa noite caminhei até à rua Park Street; escutei um homem que falava muito solenemente; naquele momento decidi que eu não gostava do que pregava, mas sabia que era sincero, tinha a certeza de que queria o meu bem; Oh, que eu tivesse escutado com atenção o seu conselho; Oh, que eu tivesse considerado as suas palavras!

Ah!, não há muito tempo, um homem que se tinha rido e se tinha burlado de mim muitas vezes, foi um domingo a Brighton, para passar esse dia numa excursão. Retornou nessa mesma noite para morrer! Na segunda-feira pela manhã, quando estava morrendo, a quem crêem que procurou? Necessitava que viesse o senhor Spurgeon! Necessitava do homem do qual sempre se tinha rido; necessitava que viesse e lhe ensinasse o caminho para o Céu, e lhe assinalasse o Salvador. E embora me alegrasse de ir, foi uma tarefa triste ter de falar com um homem que acabava de quebrantar o dia de repouso, e que tinha gasto o seu tempo ao serviço de Satanás, e tinha regressado a casa para morrer. E, efetivamente morreu, sem uma Bíblia no seu lar, sem que se oferecessem orações por ele, exceto a oração que eu ofereci junto ao seu leito.


Ah!, é estranho como a visão do leito de um moribundo pode ser bendita para estimular o nosso zelo. Há um ano, mais ou menos, estive junto ao leito de um pobre moço, de aproximadamente dezesseis anos de idade, que tinha estado bebendo até provocar a sua morte, num episódio alcoólico que teve lugar uma semana antes. Quando lhe falei sobre o pecado e da justiça, e do julgamento vindouro, sei que tremeu, e pensei que se tinha achegado a Jesus. Quando desci as escadas, depois de orar por ele muitas vezes, e de tratar de que olhasse para Jesus, e não tendo senão uma débil esperança da sua salvação final, pensei dentro de mim: Oh Deus!, queria eu poder pregar cada hora, e a cada momento do dia, as inescrutáveis riquezas de Cristo; pois que coisa tão terrível é morrer sem um Salvador. E logo recordei quantas vezes tinha estado no púlpito, e não tinha pregado com o denodo com que devia ter pregado; como tenho narrado com frieza a história do Salvador, quando devia ter chorado correntes de lágrimas, com emoção entristecedora. Em muitas ocasiões fui para a minha cama, e chorei até ficar dormindo, porque não preguei como desejei, e acontecerá o mesmo esta noite. Mas, oh, a ira vindoura! A ira vindoura! A ira vindoura!
Meus queridos ouvintes, os temas dos quais falo agora não são sonhos, nem fraudes, nem maluquices, nem velhas histórias de comadres. São realidades e logo as verificarão. Oh pecador, você que não tem permanecido em todas as coisas escritas no livro da lei; você que não tem a Cristo; aproxima-se o dia quando estas coisas estarão a sua frente, como coisas reais, solenes e terríveis. E então; ah!, então; ah!, então, o que farás? “Está estabelecido para os homens que morram uma só vez, e depois disto o julgamento.” Oh, imaginem:
“A pompa desse tremendo dia,
Quando Cristo venha com as nuvens.”
Creio que vejo esse terrível dia. O sino do tempo tangeu o último dia. Agora vem o funeral das almas condenadas. O seu corpo acaba de levantar da tumba, e desatas a mortalha encerrada, e olhas para cima. O que é o que vejo? Oh!, o que é o que ouço? Ouço uma explosão tremenda e terrível, que sacode os pilares do céu, e faz com que o firmamento se cambaleie de espanto; a trombeta, a trombeta, a trombeta do arcanjo sacode os últimos limites da criação. Olhas e ficas pasmado. Subitamente, escuta-se uma voz, e uns dão alaridos, e outros cantam hinos, Ele vem, Ele vem, Ele vem; todo olho o verá. Ali está; o trono descansa sobre uma nuvem, branca como o alabastro. Ali está sentado. “É Ele, o Homem que morreu no Calvário (vejo as Suas mãos trespassadas), mas, ah, quão modificado está! Não tem uma coroa de espinhos. Esteve ante o tribunal do Pilatos, mas agora a Terra inteira deve estar ante o Seu tribunal. Mas escutem! A trombeta soa outra vez: o Juiz abre o livro, há um silêncio no Céu, um solene silêncio: o Universo está quieto. “Junta aos meus escolhidos e aos meus redimidos dos quatro ventos do céu.” Rapidamente são ajuntados. E como o brilho de um relâmpago, a asa de anjo divide à multidão. Aqui estão os justos todos congregados; e, pecador lá está você, à esquerda, deixado de fora, entregue a suportar a sentença ardente da ira eterna. Escuta! As harpas do céu tocam doces melodias; mas não lhe trazem nenhum gozo, enquanto os anjos estão repetindo as boas-vindas do Salvador aos Seus Santos. “Venham, benditos de meu Pai, herdai o reino preparado para vós desde a fundação do mundo.” Vocês tiveram esse momento de pausa, e agora o Seu rosto está acumulando nuvens de ira, e o trovão está na Sua frente; olha para você que o tem desprezado, a ti que te ludibriaste da Sua graça, que desprezou a Sua misericórdia, a você que quebrantou o Seu dia de descanso, a você que zombaste da Sua cruz, a você que não aceitou que reinasse sobre ti; e com uma voz mais forte que dez mil trovões, Ele clama: “Apartai-vos de mim, malditos.” E logo... não, não continuarei. Não falarei das chamas inextinguíveis. Não vou falar dos padecimentos do corpo, nem das torturas do espírito. Mas o Inferno é terrível; a condenação é aflitiva. Oh, escapa! Escapa! Escapa, para que, ali onde estás, não tenhas que aprender talvez o que significam os horrores da eternidade, no golfo da eterna perdição! “Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas escritas no livro da lei, para as fazer.”


III. LIBERAÇÃO PROCLAMADA.
“Condenou a todos,” exclama um. Sim, mas não fui eu: Deus o tem feito. Estás condenado? Sente esta noite que está condenado? Vem, outra vez, deixa tomar a sua mão, irmão meu: sim, posso olhar ao redor de toda esta assembleia, e posso dizer que não há ninguém neste lugar a quem não ame como a um irmão. Se vos falo com severidade a qualquer de vós, é para que saibam a verdade. O meu coração e o meu espírito inteiramente estão comovidos por vós. As minhas palavras mais duras estão muito mais cheias de amor que as suaves palavras dos ministros que falam com tranquilidade, e que dizem: “paz, paz;” e não há paz. Vocês pensam que me causa prazer pregar desta maneira? Oh! preferiria muito mais estar pregando a respeito de Jesus; da Sua doce e gloriosa Pessoa, e da Sua justiça que é completamente suficiente.


Agora vem aqui, e pratiquemos com doces palavras antes de terminar. Sente que está condenado? Dizes: “Oh, Deus, eu confesso, serias justo, se fizesses tudo isto comigo”? Sentes que não podes ser salvo jamais por tuas próprias obras, senão que estás totalmente condenado pelo seu pecado? Odeias o pecado? Arrepende-se sinceramente? Então, deixa-me dizer-lhe como pode escapar.


Homens e irmãos, Jesus Cristo, da semente de Davi, foi crucificado, morto e sepultado; agora ressuscitou, e está sentado à mão direita de Deus, onde também intercede por nós. Ele veio a este mundo para salvar aos pecadores, pela Sua morte. Ele viu que os pobres pecadores eram malditos: Ele tomou a maldição sobre os Seus próprios ombros, e salvou-nos dela. Agora, se Deus tiver feito maldição a Cristo por algum homem, não amaldiçoará a esse homem de novo. Você pergunta-me, então: “foi Cristo feito maldição por mim?” Responde-me a esta pergunta, e eu dir-te-ei: ensinou-te o Espírito que és maldito? Tem-lhe feito sentir a amargura do pecado? Conduziu-lhe a clamar: “Deus, sê propício a mim, pecador”? Então, meu querido amigo, Cristo foi feito maldição por ti; e você não é maldito. Você não é maldito, agora. Cristo foi feito maldição por você. Tem ânimo; se Cristo foi feito maldição por ti, tu não podes ser maldito de novo. “Oh!” dirá alguém, “se pudesse estar convencido que foi feito maldição por mim.” Vê-Lo sangrando no madeiro? Vês as Suas mãos e os Seus pés gotejando sangue? Olha-o, pobre pecador. Não te olhes mais a ti mesmo já, nem ao teu pecado; olha-O a Ele e sê salvo. Tudo o que te pede que faças é que olhes, e Ele te ajudará inclusivamente a fazer isso. Vem a Ele, confia n’Ele, acredita n’Ele. Deus, o Espírito Santo ensinou-lhe que você é um pecador condenado.
Agora, suplico, ouve esta palavra e creia nela: “Palavra fiel e digna de ser recebida por todos: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar aos pecadores.” Oh, podes dizer: “eu creio nesta Palavra (é verdadeira), bendito seja o Seu amado nome; é verdade para mim, pois independentemente do que não sou, eu sei que sou um pecador; o sermão de hoje convenceu-me disso, ainda que não me tivesse convencido de outra coisa; e, bom Senhor, tu sabes que quando digo que sou um pecador, não quero dizer o que antes estava acostumado a dizer mediante essa palavra. Quero dizer que sou um pecador real. Quero dizer que se Tu me condenasses, eu mereço-o; se Tu me lançasses da Tua presença para sempre, seria unicamente o que tenho merecido em abundância. Oh, meu Senhor, eu sou um pecador; sou um pecador desenganado, a menos que Tu me salves; sou um pecador sem esperança, a menos que Tu me sanes. Não tenho nenhuma esperança na minha justiça própria; e, Senhor, bendigo o Teu nome, e digo algo mais: eu sou um pecador dolente, pois o pecado me aflige; não posso descansar, estou aflito. Oh, se me pudesse desfazer do pecado, seria santo como Deus é santo. Senhor, eu creio.”
“Como, senhor, crer que Cristo morreu por mim simplesmente porque sou um pecador!” Sim, assim é. “Não, senhor, mas se eu tivesse um pouquinho de justiça, se pudesse orar bem, então poderia pensar que Cristo morreu por mim.” Não, isso não seria tudo da fé, isso seria confiança no eu. A fé crê em Cristo quando vê que o pecado é negro, e confia n’Ele para tirá-lo por completo. Agora, pobre pecador, com todo o pecado que tens, toma esta promessa nas tuas mãos, e vai para casa no dia de hoje, ou se puderes, faça antes de chegar a casa: vai para casa, digo, sobe ao seu aposento, sozinho, de joelhos junto à sua cama, e derrama o seu coração: “Oh, Senhor, tudo o que esse homem disse é verdade; estou condenado, e, Senhor, eu mereço-o. Oh, Senhor, tratei de ser melhor, e não alcancei nada, a não ser justamente o contrário, tornei-me pior. Oh, Senhor, tenho subtraído importância à Tua graça, e tenho desprezado o Teu Evangelho: surpreende-me que não me tenhas condenado há anos; Senhor, maravilha-me que tenhas permitido viver a um miserável tão ruim, como sou eu. Desprezei o ensino de uma mãe, e esqueci as orações de um pai. Senhor, eu tenho-me esquecido de Ti; tenho quebrantado o dia de repouso, tenho tomado o Teu nome em vão. Tenho feito tudo o que é mau; e se Tu me condenas, o que posso dizer? Senhor, fico mudo ante a Tua presença. Não tenho nada que argumentar. Mas Senhor, venho a dizer-Te no dia de hoje que Tu hás dito na Palavra de Deus: “Ao que a mim vem, não o jogo fora.” Senhor, eu venho: o meu único argumento é que Tu hás dito: “Palavra fiel e digna de ser recebida por todos: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar aos pecadores.” Senhor, eu sou um pecador; Ele veio para me salvar a mim; confio nisso (seja que depois me afunde ou nade), Senhor, esta é minha única esperança: descarto qualquer outra, e odeio-me ao pensar que jamais tenha tido outra esperança. Deus, eu descanso unicamente em Jesus. Salva-me, peço-Te isso, e embora não espere apagar o meu pecado passado com minha vida futura, oh Senhor, peço-te que me dês um novo coração e um espírito reto, para que a partir deste momento e para sempre, caminhe na senda dos Teus mandamentos: pois, Senhor, não desejo nada a não ser só Teu filho. Oh, Senhor, renunciaria a tudo porque Tu me amas-te; e estou motivado a pensar que Tu me amas; pois assim o sente o meu coração. Sou culpado, mas nunca teria sabido que sou culpado, se Tu não me tivesses ensinado isso. Sou vil, mas nunca teria conhecido a minha vileza, se Tu não me tivesses revelado isso. Certamente, Tu não me destruirás, oh Deus, depois de me haveres ensinado isto. Se o fizesses, seria justo, mas:
‘Salva a um pecador tremente, Senhor,
Cujas esperanças revoam ao redor da Tua Palavra,
Queria descansar sobre alguma doce promessa ali;
Algum apoio seguro contra o desespero. ’
Se não puder orar com uma oração tão comprida como esta, digo-lhe que vá para casa e digas isto: “Senhor Jesus, eu sei que não sou absolutamente nada; sê Tu o meu precioso tudo, em tudo.”
Oh, eu confio em Deus, que haverá algumas pessoas hoje que serão capazes de orar dessa maneira, e se assim for, que toquem os sinos do céu; cantai, vós, serafins; gritai, vós, os redimidos; pois o Senhor tem-no feito, e glória seja dada ao Seu nome, por toda a eternidade.


Nota do tradutor: No Prefácio do Volume 4 dos Sermões do Púlpito da Capela New Park Street, correspondentes ao ano 1858, no qual se encontra este Sermão, Spurgeon comentou: “Outro sermão, intitulado “Uma Chamada aos Não-convertidos,” foi um instrumento para despertar a muitas pessoas no sentido da sua condição perdida. Tão grandemente foi abençoado por Deus no momento da sua pregação, que foi impresso em forma de livrinho, para poder distribui-lo num formato independente.”
*+*
Traduzido em 11/XII/08 por Carlos António da Rocha
fontes
http://www.spurgeon.org/sermons/0174.htm
http://spurgeon.com.mx/chequera.htm


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